Seminário 6 - Desvendando Histórias: Grounded Theory e Narrativas na Pesquisa Qualitativa

Autor: João Paulo Dias da Silva Munck

Docente: Dr. Luiz Alex Silva Saraiva

Disciplina: Métodos Qualitativos II    


RESUMO:

Fala pessoal, no post de hoje, iremos aprofundar sobre Grounded Theory e Narrativas na Pesquisa Qualitativa, vendo como esses assuntos são abordados dentro do campo. Então, venha comigo através de um conteúdo leve e que contemple o que foi discutido na disciplina de Métodos Qualitativos, entre discentes e o docente responsável.


NARRATIVAS NA PESQUISA QUALITATIVA:

As narrativas desempenham irão desempenhar um importante papel na pesquisa qualitativa para pesquisadores, oferecendo uma maneira rica e profunda de explorar e entender as experiências humanas. Elas são interessantes de se utilizar dentro deste contexto, pois permitem capturar a profundidade e complexidade das histórias individuais e coletivas. As histórias influenciam e fortalecem nossa compreensão do mundo ao longo da história da humanidade, uma vez que o mundo só faz sentido quando o homem nomeia as coisas.

Mas o que é narrativa? A narrativa é uma história com início, meio e fim, fazendo alusão à estrutura aristotélica clássica. No entanto, ela é muito mais do que apenas dados; deve ser vista como uma ordem sequencial de discurso, fornecendo insights valiosos para as pessoas. Diferentes narrativas podem não ser verossímeis, trazendo contextos fictícios que exigem um grau de conscientização sobre sua incoerência.

A abordagem metodológica das narrativas está associada ao que você vai estudar e se faz sentido no contexto específico. Embora muitas vezes não possa ser considerada como um "velocímetro" de verdades absolutas, a ciência se volta para a busca da verdade. É crucial tomar cuidado para não descredibilizar o que está sendo dito, reconhecendo que nem tudo será verdade, mas sem questionar a pessoa como uma fonte não confiável.

Critérios claros devem ser estabelecidos quanto ao grupo a ser analisado. A entrevista e a observação são métodos complementares, com a intenção de representar algo significativo. As adaptações das perguntas vêm muito de uma perspectiva pós-estruturalista, trazendo a importância da problemática, onde o planejamento não é o foco principal, mas sim a questão central da discussão. A seleção dos sujeitos é fundamental para refletir as questões que serão narradas, e métodos bibliográficos científicos devem ser utilizados.

O pesquisador precisa ter conhecimento do contexto para formular a problemática. Alguns pontos interessantes são apresentados como uma "receita" para a elaboração das perguntas. Muitos pesquisadores acabam caindo no discurso do herói, identificando-se com as histórias contadas. Por exemplo, em conferências como o SEMEAD, vemos mulheres discutindo questões de gênero e sobrecarga em casa e no trabalho, mas frequentemente de maneira descritiva, sem uma análise mais profunda.

A teoria deve mostrar sua aplicação no campo e não o contrário, sempre considerando questões éticas. A reação do participante destaca a simultaneidade das questões individuais e coletivas. A narrativa parte de um aspecto individual, com abordagens que incluem a produção discursiva a partir do indivíduo e a narrativa como estrutura de poder. Uma limitação é a análise do método, mas podemos ver uma questão crítica emergir dessas narrativas, através dos significados construídos.

Discutimos sobre o "verdadeiro" e não sobre a "verdade", onde o verdadeiro é construído a partir de diferentes perspectivas. O entrevistado ensina o entrevistador, e há uma questão política na produção de dados. Uma agenda responsável é necessária, já que alguns pesquisadores podem não assumir essa responsabilidade. Diferentes óticas – do narrador, sujeito, escrita e pesquisador – devem ser consideradas, questionando o propósito da narração da história.

GROUNDED THEORYFUNDAMENTANDO A PESQUISA QUALITATIVA

A Grounded Theory, ou Teoria Fundamentada, é uma abordagem metodológica robusta e embasada. Alguns pensadores argumentam que a tradução do termo não transmite plenamente a ideia necessária. A Grounded Theory surgiu na década de 1960 nos EUA, quando havia uma predominância de métodos quantitativos e estatísticos na pesquisa. Naquela época, a metodologia era vista principalmente através de uma lente estatística, conforme descrito nos manuais de pesquisa.

A abordagem envolvia a construção de hipóteses e a posterior verificação de sua veracidade. Essa concepção de um método único de sistematização e rigor científico foi o padrão de pesquisa na época. Um exemplo é o uso da Grounded Theory para investigar questões como as mortes em hospitais, aplicando um estudo analítico detalhado e passo a passo.

A Grounded Theory trouxe para a pesquisa qualitativa o rigor científico necessário, influenciada pelo interacionismo simbólico. No estudo de hospitais, por exemplo, investigavam-se questões como "como?", "onde?" e "com quem?" através de um processo analítico estruturado. Isso fazia sentido para preencher lacunas em momentos específicos, permitindo que a teoria emergisse de situações particulares.

A metodologia combina abordagens dedutivas e indutivas. Na abordagem dedutiva, um corpo teórico é aplicado ao trabalho de campo, buscando padrões que possam ser generalizados. Na abordagem indutiva, a particularidade de um caso específico é usada para inferir padrões em casos futuros. A preocupação no contexto estadunidense era fazer pesquisa de forma respeitada e rigorosa.

A Grounded Theory irá oferecer um guia criterioso para a pesquisa, incluindo avaliações detalhadas, diagramas e passos específicos. A separação entre o pesquisador e o objeto de estudo é um aspecto chave, juntamente com revisões positivistas e vertentes construtivistas que reconhecem a multiplicidade de aspectos envolvidos no conhecimento.

`Podemos ver também, que há um aspecto de simultaneidade de coleta e interpretação de dados é um princípio fundamental. Um exemplo é a pesquisa de um doutorando da USP situada em São Paulo, que possui uma pesquisa em andamento sobre entregadores durante um longo período, ele utiliza dessa abordagem para analisar os dados fornecidos. Aqui, os dados não são validados pela literatura existente, mas analisados de forma independente, fugindo do que vemos habitualmente no nosso cotidiano como pesquisador.

Essa metodologia permite flexibilidade ao pesquisador, que pode revisitar o campo de estudo várias vezes. Os dados são categorizados e refinados, assegurando a robustez e fundamentação da pesquisa. A construção e reconstrução da teoria emergem dos dados analisados, explicando o fenômeno estudado de maneira abrangente e fundamentada.

Assim, fecho esse blog dizendo que dentro da construção da minha tese, esse assunto contribui dentro dos objetos dentro do meu estudo nos seguintes pontos:

1. Tomar cuidado de descredibilizar o que está sendo dito;

2. A seleção do sujeito é fundamental eles consigam refletir as questões que serão narradas;

3. A teria mostra a aplicação no campo e não o contrário;

4. Aplicação do Método dedutivo e indutivo;

5. Assegurar a robustez e que seja bem fundamentada no contexto da pesquisa.

REFERÊNCIAS:

BRYANT, A. Grounded theory and grounded theorizing: pragmatism in research practice. Oxford: Oxford University Press, 2017. Parte 2.


CORBIN, J.; STRAUSS, A. L. Basics of qualitative research: techniques and procedures for developing grounded theory. 4. ed. Los Angeles: Sage, 2005. Cap. 1, 2 e 3.


CZARNIAWSKA, B. A narrative approach to organization studies. London: Sage, 1998. Cap. 1, 3 e 5.


ELLIOTT, J. Using narrative in social Research: qualitative and quantitative approaches. London: Sage, 2005. Cap. 1 e 2.


GLASER, B. G.; STRAUSS, A. L. Strategies for qualitative research. New Brunswick: Aldine, 1999. Cap. II e III.


LOCKE, K. D. Grounded theory in management research. London: Sage, 2001. Parte 3.


MISOCZKY, M.C.; IMASATO, T. Narrativas e histórias nos estudos organizacionais: um diálogo sobre referências e práticas. Economia e Gestão, v. 5, n. 11, 2005, p. 77-96.


MISOCZKY, M.C.; VECHIO, T. Experimentando pensar: da fábula de Barnard à aventura de outras possibilidades de organizar. Cadernos EBAPE.BR, v. 4, n. 1, p. 1-11, mar. 2006.


RIESSMAN, C. K. Narrative analysis. Newbury Park: Sage, 1993. Introdução e cap. 1.


SARAIVA, L. A. S. Métodos narrativos de pesquisa: uma aproximação. Gestão. Org: Revista Eletrônica de Gestão Organizacional, v. 5, n. 2, p. 118-134, maio/ago. 2007. 


SILVA, N. M. Grounded theory para iniciantes: contributo para a investigação em educação. Cadernos de Pesquisa, v. 52, e08563, 2022.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Seminário 10 - Aplicações da Análise de Conteúdo na Pesquisa Organizacional

Seminário 12 - Métodos Visuais

Seminário 9 - Entrevista e Grupo Focal: Métodos Qualitativos em Profundidade