Seminário 10 - Aplicações da Análise de Conteúdo na Pesquisa Organizacional
Autor: João Paulo Dias da Silva Munck
Docente: Dr. Luiz Alex Silva Saraiva
Disciplina: Métodos Qualitativos II
RESUMO:
Fala pessoal, no post de hoje, iremos explorar um pouco sobre aplicações da Análise de Conteúdo na Pesquisa Organizacional. Sendo assim, o blog de hoje, está repleto de coisas interessantes dentro da área Métodos Qualitativos.
APLICAÇÃO DA ANÁLISE DE CONTEÚDO NA PESQUISA ORGANIZACIONAL:
A análise de conteúdo surgiu no início do século XX nos Estados Unidos. No começo, a linguística e a análise de conteúdo eram tratadas de forma isolada, e o foco principal era a palavra. Tradicionalmente, a análise de conteúdo era uma abordagem quantitativa. No entanto, ao longo do tempo, evoluiu para incorporar aspectos qualitativos.
Não se deve pensar que os softwares de análise de dados serão a salvação completa. O verdadeiro dono da análise é o pesquisador, o dono do texto, que precisa compreender bem a técnica para analisar o que está sendo dito. Na análise de conteúdo, você encontra o que está procurando; ela é uma técnica inferencial que evoluiu de uma abordagem quantitativa para uma mais qualitativa.
Essa técnica é amplamente utilizada nas ciências sociais. Bardin é um dos autores de referência, que através de seu método, demonstra todo o percurso metodológico, enriquecendo as pesquisas. A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas com objetivos políticos, além de descrever as mensagens e inferir conhecimentos sobre a produção e recepção dessas mensagens, considerando o contexto, emissor e receptor.
O IMS é uma instituição que rege essa prática. Na análise de conteúdo, inferimos significados, enquanto na análise de discurso, focamos no aspecto do discurso e semântica. Embora tenham frentes diferentes, a análise de conteúdo não deve ser vista com rigidez, como sugere Bardin. Tradicionalmente, a análise de conteúdo trabalha com textos escritos, entrevistas, artigos de jornais e, em alguns casos, fotos e vídeos. Dependendo do que está sendo analisado, como no exemplo do filme "A Forma da Água", algumas pessoas só entenderam o filme depois que outras explicaram. Abaixo, vemos o modelo proposto por Bardin.
A análise de conteúdo visa trazer indicadores, quantitativos ou não, em busca de sentido e inferências. Nem sempre é necessário explicar o "porquê", mas sim apresentar os dados. Ao analisar a divulgação de dados das empresas em jornais, por exemplo, entrar nas entrelinhas seria mais uma análise de discurso, que é menos previsível do que a análise de conteúdo. Alguns críticos acham a análise de conteúdo previsível e pobre por não verem as entrelinhas.
Essa técnica é ampla na comunicação, permitindo inferências a partir das mensagens e suas fontes. É importante considerar diferentes abordagens de autores, que apresentam diversas perspectivas na análise de conteúdo. A mensagem pode ser espontânea ou provocada pelo pesquisador. A linguística é fundamental para uma interpretação mais robusta e profunda na pesquisa.
No processo de análise, é vital entender o papel do emissor e do receptor, pois isso define como o conteúdo será apresentado e percebido. Pesquisadores devem ter cautela para evitar que as respostas sejam enviesadas. A técnica demanda uma formulação cuidadosa de perguntas para obter respostas relevantes.
O conceito de "a priori" é comparado a uma camisa de força, às vezes restritiva. Descrever as características de um texto pode ser visto como uma visão limitada, mas os efeitos da mensagem aumentam seu rigor. Poucos estudos detalham quais autores foram utilizados na construção da análise de conteúdo. A unidade de registro, como palavras, temas ou personagens, é o foco do pesquisador, enquanto a unidade de contexto visa validar e estruturar a análise.
A categorização, baseada em Bardin, usa semântica e léxico na comunicação para explorar o fenômeno estudado. Exclusões são necessárias para evitar repetições e garantir inferências saudáveis. As hipóteses apresentadas na pesquisa guiam a análise de conteúdo, que hoje integra abordagens qualitativas e quantitativas.
Pensando na análise como interpretação e sistematização, consideramos o contexto e a produção de conteúdo nas mensagens. A reflexividade é crucial, e o pesquisador deve reconhecer suas pesquisas. Por exemplo, no artigo sobre práticas e desafios do ensino de empreendedorismo, vemos um quadro de derivação de categorias de conteúdo, exemplificando a densidade da análise.
O trabalho deve ser orientado pelas categorias estabelecidas, mas criar algo linear pode parecer uniforme demais, o que é criticado por pareceristas em eventos. A ênfase constante na "validade" demonstra uma postura positivista. Bauer aponta dilemas como falta de profundidade e recortes arbitrários.
Assim, fecho esse blog dizendo que dentro da construção da minha tese, esse assunto contribui dentro dos objetos dentro do meu estudo nos seguintes pontos:
1. É importante frisar que análise de conteúdo e de análise de discurso possui frentes diferentes;
2. A análise de conteúdo não pode ser vista com rigidez como mostra Bardin;
3. Na análise de conteúdo não necessariamente chega na necessidade do porquê, mas sim apresentar apenas;
4. Buscar estudos e apoio na linguística.
REFERÊNCIAS:
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. P. 49-108.
BAUER, M. W. Análise de conteúdo clássica: uma revisão. In: BAUER, M. W.; GASKELL, G. (Org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 189-217.
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