Seminário 5 - Metodologias em Administração: Aprofundando-se em Estudo de Caso e Pesquisa-Ação
Autor: João Paulo Dias da Silva Munck
Docente: Dr. Luiz Alex Silva Saraiva
Disciplina: Métodos Qualitativos II
RESUMO:
No post de hoje, iremos aprofundar sobre Estudo de Caso e Pesquisa-Ação, vendo como esses assuntos são abordados dentro do campo, pensando de uma forma crítica dentro das metodologias em Administração.
Então, venha comigo através de um conteúdo leve e que contemple o que foi discutido na disciplina de Métodos Qualitativos, entre discentes e o docente responsável.
ESTUDO DE CASO:
Um estudo de caso é uma narrativa detalhada de um fenômeno específico, onde busca por uma causa causal, narrativa contada por um pesquisador entendendo suas causas e consequências. Sendo assim, conforme discutido em sala, vemos que tem uma análise profunda de um contexto particular, proporcionando insights valiosos que outras metodologias podem não capturar.
A profundidade é uma das maiores vantagens do estudo de caso, pois permite explorar um fenômeno em detalhes, algo que só é possível se a metodologia for aplicada corretamente. No entanto, é crucial para os pesquisadores lembrar que estudos de caso superficiais não fornecem os insights necessários e podem comprometer a credibilidade da pesquisa. Por isso, vemos uma certa resistência por parte de alguns avaliadores.
Muitos pesquisadores não aplicam o estudo de caso de maneira adequada, o que pode limitar suas descobertas, assim, não alcançando o aceite da pesquisa em anais, congressos e revistas científicas da área. Para garantir a qualidade, é importante seguir passos, sendo sete níveis elencados pelo docente em uma de suas matérias que envolvem questões políticas, metodológicas e análises críticas. Isso inclui ser honesto sobre as limitações do próprio caso e não generalizar os resultados sem embasamentos teóricos e científicos.
Vale lembrar, que cada caso é único, que se será influenciado por seu contexto histórico, físico, jurídico e ético. Essa particularidade é uma força do estudo de caso, pois permite que o pesquisador traga originalidade e relevância ao trabalho, evitando equívocos comuns.
O estudo de caso pode trazer uma questão de originalidade para evitar equívocos e trazer uma certa relevância, onde a construção do estudo de caso deve ser rigorosa, com uma abordagem analítica e interpretativa. Que é diferente de um caso para ensino, que foca na solução de problemas, o estudo de caso acadêmico busca uma compreensão mais profunda e detalhada do fenômeno.
Alguns autores abordam o estudo de caso do macro para o micro, enquanto outros fazem o contrário. Ambos os métodos têm valor, desde que utilizados com rigor ontológico e epistemológico. Há um certo preconceito contra o método de estudo de caso, com alguns pesquisadores questionando sua relevância devido à superficialidade de alguns estudos em alguns trabalhos que são submetidos. No contexto organizacional, essa crítica é ampliada pela confusão entre pesquisas científicas e manuais produzidos a partir de investigações jornalísticas e não científicas.
A capacidade de generalizar a partir de um estudo de caso é limitada, o que é uma crítica comum da abordagem positivista apresentada. No entanto, a transposição analítica permite que insights de um caso específico possam ser aplicados a contextos semelhantes. Vemos questões da teoria substantiva, de médio e grande alcance.
Por fim, devemos vemos a forma de coleta de dados nos estudos de caso, onde vemos em arquivos, registros e outras fontes. Um bom alinhamento antes do planejamento, faz com que exista clareza do construto de ciência que estou falando, faz sentindo ou não antes de iniciar o estudo de caso. Assim, quando pensamos na triangulação usando mais de uma pessoa para chegar no fenômeno, será uma agenda positivista visando uma estratégia para aumentar a validade dos resultados.
PESQUISA-AÇÃO:
A pesquisa-ação podemos pensar numa característica principal sendo intervencionista, onde se diferencia das pesquisas tradicionais que não têm esse foco. Ela busca promover mudanças intencionais através de um processo cíclico de diagnóstico, ação, avaliação e reflexão. Dentro da pesquisa-ação, a consultoria empresarial, desempenha um papel importante ao promover mudanças intencionais. No entanto, é crucial manter a cientificidade e rigor metodológico para garantir a validade dos resultados.
Vemos que ela pode envolver processos de idas e vindas, permitindo que o pesquisador ajuste suas ações com base no retorno e nas novas descobertas feitas no estudo. Esse método também tem um aspecto político e conscientizador, visando transformar a realidade estudada. Pesquisadores menos experientes são aconselhados a seguir uma linha monodisciplinar dentro do método científico inicialmente. No entanto, a ela oferece várias aberturas para abordagens interdisciplinares, enriquecendo o campo de estudo.
Dentro da tradição da teoria crítica, o pesquisador engajado assume uma filosofia de transformação da realidade. A pesquisa-ação pode ser vista também sob uma perspectiva pós-estruturalista, onde técnicas como a cartografia são utilizadas para estabelecer relações e intervenções. Embora a pesquisa-ação seja prática, ela não é ateórica por conta de acharem que ela tem a prática envolvida, mas é a partir do contato que foi feito com as pessoas, terá uma explicação baseado por uma teoria.
As explicações teóricas são baseadas no contato direto com os participantes. A ética e os valores são fundamentais, garantindo que os participantes sejam tratados com respeito e que o pesquisador não imponha suas perspectivas de maneira inadequada.
Sendo assim, ela não só visa transformar a prática, mas também levar conhecimento de volta à academia, criando um ciclo contínuo de aprendizado e aplicação de idas e vindas. Sendo assim, devemos pensar que nós como pesquisadores devemos tomar cuidado com a linguagem e até mesmo com as roupas, onde por exemplo, não somos nativos daquele lugar e queremos nos enquadrar para se aproximar daquele grupo. Assim, a pesquisa-ação promove mudanças duradouras e significativas, beneficiando tanto a prática quanto a teoria.
Assim, fecho esse blog dizendo que dentro da construção da minha tese, esse assunto contribui dentro dos objetos dentro do meu estudo nos seguintes pontos:
1. Os participantes não são cobaias, onde precisamos trazer nossos valores e nosso olhar ético;
2. Precisamos de um rigor científico na escrita e aprofundar no método;
3. Precisamos buscar originalidade;
4. Não devemos nos enquadrar dentro do público da pesquisa para ir a campo conversar com eles;
5. Pensar sempre nos 7 níveis comentados para a qualidade de um artigo.
REFERÊNCIAS:
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