Seminário 3 - Desvendando o Construtivismo e o Interpretacionismo: Conceitos e Aplicações

Autor: João Paulo Dias da Silva Munck

Docente: Dr. Luiz Alex Silva Saraiva

Disciplina: Métodos Qualitativos II    


RESUMO:

     No post de hoje, iremos embarcar em uma jornada epistemológica desvendando o Construtivismo e o Interpretacionismo dentro do contexto das ciências sociais e seus impactos em nosso cotidiano. Ao final, pretende-se responder de forma objetiva de como esses estudos permitem ampliar em uma abordagem qualitativa e como ela contribui na produção do conhecimento.




INTERPRETACIONISMO:

        Na epistemologia Interpretativista, considera que a verdade é uma questão de interpretação. Cada um interpreta o mundo de uma forma diferente, onde todas essas formas são válidas. Vemos que essa abordagem está na base do construtivismo.

    Assim, devemos levar em consideração que cada um tem suas próprias experiências, por isso, temos formas diferentes de ver o mundo. Todas as experiências que tivemos na nossa vida ensinou algo, onde por exemplo, imagine sua casa que não tinha o muro pintado e você pintou, onde mais tarde choveu e tirou um pouco da tinta, logo, vemos que você modificou o ambiente e o ambiente te modificou (chamamos esse processo de interação).

    Neste caso, acima vimos uma questão de lição, onde essa epistemologia Interpretativista possui destaque desde o século XX, onde podemos enfatizar a questões simbólicas e culturais, onde indivíduo começa dar significado.

      Vemos também, teias de significados (onde a cultura não é apresentada na sua totalidade, onde o ser humano é o único a distinguir a água benta da água potável), sendo possível ver o domínio do simbólico pela questão da interpretação.



      
    Nesta epistemologia Interpretativista, percebe-se claramente que é valorizado a participação dos significados, onde vemos que possui uma ideia de interpretação e não de razão, ou seja, não que isso é isso, mas sim para interpretar.

  A hermenêutica que tem como objetivo "a arte ou técnica de interpretar, esclarecer, revelar o sentido", irá reconhecer a importância do indivíduo, que reconhece essa complexidade da interpretação e compreensão nesta abordagem.

   Dentro do aspecto da reflexão de Pierre Bourdieu, vemos interpretações dos fenômenos sociais, a questão da reflexibilidade, onde Bourdieu reconhece o papel do pesquisador, e a hermenêutica incentiva uma abordagem mais reflexiva.

    Neste momento surge a questão de Habitus e Campos Sociais, onde o Habitus está relacionado ao indivíduo e já os campos sociais, na ideia de interações e relação de poder entre os sujeitos. Uma reflexão, seria trazer o papel do pesquisador, a importância que ele tem e o olhar e respeito ao objeto.

   Essas relações sobre as experiência e reflexividade, vemos que elas serão muitas das vezes moldadas. Como estou fazendo isso agora, neste momento, deste momento, enfim, um exercício de amadurecimento como pessoa, sujeito e pesquisador.



       A inocência epistemológica chega, para trabalhar esse aspecto de níveis de alto consciência, assim, podemos ver as evoluções por exemplo da nossa tese no percurso desde o início, que isso também é visto como um fator metodológico.

   Você se adentra dentro da pesquisa e entende o seu mundo, seus pensamentos, o seja, um momento espiritual, de escuta e empatia, onde vemos o amor intelectual. Portanto, o observador não é um agente distante, onde deve ser um observador ativo.

    Quando pensamos dentro de um processo de transcrição de pesquisas dentro do ambiente acadêmico, pensemos que é necessariamente, um período de escrever o escrever, mas não pensar em transcrever levando sobre a sua ótica, mas sim, no que foi dito em sua totalidade


    Devemos não ignorar o nosso ponto de vista, pois todo ponto é um ponto de vista, sendo visto neste quesito a questão da valorização da interação social, onde  Geertz vai falar muito do significado e das funções, trazendo o aspecto de absorção.

   Algo muito interessante nesta epistemologia é a questão do olhar, ouvir e escrever (toda pesquisa precisa ter), daí nos perguntamos: quais são as características para isso ser ciência e não tecnologia em nossa tese?

    Por fim, as autoras brasileiras, irão buscar a neutralidade, onde elas negam e ao mesmo tempo vemos uma questão ideológica fechando todo o contexto abordado da epistemologia Interpretativista.

CONSTRUTIVISMO :

     Uma pessoa que interagiu com o ambiente, dizemos que um sujeito interagiu com o meio, ou seja, tudo que não é sujeito chamamos de meio, onde no exemplo que abordado na epistemologia Interpretativista do muro, podemos dizer que quem pitou o muro seria o sujeito, e já o muro seria o meio.

    Apesar de Jean Piaget trazer muitos estudos, somente em 1980 que tivemos acessos as entregas de Jean Piaget aqui no Brasil, onde vemos que o construtivismo abordado por Piaget, é umas das obras mais influentes sobre educação, mas também ouve muitas interpretações erradas pela complexidade da teoria, tudo se deve por uma questão de maior rigor e legitimidade.



    O fato de a teoria organizacional ser socialmente estruturada é compatível com sua veracidade e objetividade, vemos exemplos como citado em um artigo sobre o desemprego na Capital de BH, vemos que "o emprego, é visto como categoria de trabalho formal, onde ocupa grande parte dos trabalhadores no Brasil; por isso, o desemprego é uma questão social central e atual para a discussão no cenário brasileiro."

Construtivismo Cognitivo:

   Vemos que o conhecimento empírico vem de fora para dentro, onde Kant deixa claro o papel do sujeito e do objetivo, onde foi fundamental para Piaget e suas análises e contribuições.

   O Conhecimento verdadeiro vem de dentro, ou seja, já nasce com o indivíduo, sendo que esse indivíduo precisa pensar na questão da reflexão para uma vida mais feliz.

    Podemos ver a questão na relação da escola onde o aluno só reproduzi aquilo que ele ouve do professor, Com isso, Piaget trás o aspecto de empoderar o sujeito para que seja passível de ser construída e interpretada.



    Piaget deixa claro o papel do sujeito, onde ele construa seu progresso de uma maneira diferente do que é proposto. Assim, vemos a questão da racionalidade, onde fala da capacidade de cognição construída pelo sujeito.

    Sendo assim, Piaget revolucionou com a sua abordagem, onde ele permitiu um salto metodológico quanto a questão de sua visão. Um sujeito que sobrepõe o objetivo pode ser visto até mesmo na tese, onde essa agenda pode ser vista como algo inovador com esse novo formato de ver o sujeito.

    Portanto, o conhecimento racional (já nasce com o sujeito), onde vemos aqui a relação do positivo e do estruturalismo (onde pensa nesses padrões de previsibilidade gerando estágios como exemplo: crianças de x até x anos, precisa ser assim, onde vemos algo um ponto negativo quando a essa forma).

    Conseguimos ver claramente uma questão de ordem, um cuidado que precisamos ver como pesquisadores. Para Piaget temos dois estágios, sendo o estágio de equilíbrio e o estágio  de desiquilíbrio, onde temos o conhecimento ao nosso redor. 

    A assimilação (quando sou apresentado a algo o modelo funciona do mesmo jeito por não ter nenhuma referência) e já a acomodação visa (adquirir conhecimento a partir daquilo que já conhecíamos). Vemos então que o sujeito tem uma participação ativa e sendo construtor, onde a construção acontece com interação entre sujeito e objeto.

Construtivismo Social:

    O processo de aprendizagem vem por meio de um processo social, onde o construtivismo social tem haver com o que é construído através da interação com os outros.

    Para Vygotsky, ele traz a questão da linguagem onde podemos aprender ou não aprender de acordo pela linguagem. Pensarmos na construção da exatidão, imagina nossa visa sem relógio?

    Sendo assim, vemos que essa abordagem traz um olhar de associação coletiva, onde vê o compartilhamento dos escritos e da comunicação forma, escrita, oral, por meio da arte e da cultura.

    Vemos também, um aspecto de construção do futuro, mostrando a associação da aprendizagem e do futuro devido aos fatos e relatos históricos;



    Portanto, a todo momento vemos a diferença da subjetividade e intersubjetividade dentro deste contexto que o sujeito está inserido, onde Vygotsky e Piaget trabalham do desenvolvimento do cognitivo, mas no caso do Vygotsky, está pensando mais no aspecto no contexto coletivo e de linguagem.

    Assim, fecho esse blog dizendo que dentro da construção da minha tese, esse assunto contribui dentro dos objetos dentro do meu estudo nos seguintes pontos:

1. Repensar na escrita;

2. O processo é o tempo todo um processo de reconstrução;

3. O processo do papel do pesquisador e como eu como sujeito tenho um papel de transformação social através do meu objeto de estudo;

4.  Devolutiva da pesquisa e escrever para escrever dentro do aspecto de transcrições de pesquisa;

5. Empatia no processo da construção da minha pesquisa junto com os meus orientadores e o público dela.


REFERÊNCIAS:


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CARDOSO, R(Org)A aventura antropológica: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. p. 95-120.


FULLER, T; , KConstructing futures: A social constructionist perspective on foresight . Futures, v. 41, n. 2, p67-116, Mar. 2009.


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MECKLER, M; BAILLIE, J. The truth about social in administrative Science. Journal of Inquiry, v12, n3p299-303, Sep. 2003.


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